sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A escutatória - texto de Rubem Alves

A escutatória - texto de Rubem Alves
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil…
Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer…
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio, expulsando todas as ideias estranhas). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto. Ouçamos os clamores dos famintos e dos despossuídos de humanidade que teimamos a não ver nem ouvir. É tempo de renovar, se mais não fosse, a nós mesmos e assim nos tornarmos seres humanos melhores, para o bem de cada um de nós.
É chegado o momento, não temos mais o que esperar. Ouçamos o humano que habita em cada um de nós e clama pela nossa humanidade, pela nossa solidariedade, que teima em nos falar e nos fazer ver o outro que dá sentido e é a razão do nosso existir, sem o qual não somos e jamais seremos humanos na expressão da palavra.

A todos nós, reunidos pela web, a paz de Deus

Em tempo tão tumultuado pela ganância do poder, pela oportunidade de usufruir de direitos de roubar e ter a imunidade, de lavar a memória e a consciência de tanta gente, neste momento saúdo este dia louvando a Deus. - A todos nós, reunidos pela web, a paz de Deus, nosso Pai, a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo, no amor e na comunhão do Espírito Santo. Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo! Que Deus proteja-nos contra o mal instalado nos três poderes deste país, JUDICIÁRIO, LEGISLATIVO e EXECUTIVO!

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Povo do meu país, escutai a voz da consciência!

Povo do meu país, do NORTE AO SUL
Gente daqui e de lá
Escutai, escutai o que é promissor
Refleti sobre elas

No meio dos alvissareiros  encontram-se os tiranos
Pode ser hoje, pode ser outro dia,
Caem por terra suas falácias
E o povo se unirá

Não há mais cabresto
Pelourinhos ou mesmo tronco
Amarra ou ANTOLHOS
Nem mesmo correntes

Nosso chão é terra boa e produtiva
De água doce e floresta densa
De cantos e encantos
Seja aqui, seja acolá.

Aqui cantam livre os pássaros
De gente guerreira e livre
Livre, livres sim
Não há mais cabresto

Lutemos meu povo pela liberdade,
Liberdade da corrupção que assola nossa pátria
Unamos nossa força
É chegada a hora de dizer, sai fora LADRÃO

Povo do meu país, do NORTE AO SUL
De todos os cantos e de todos os credos
Levai esta mensagem as urnas

E o futuro sorrirá ou amargurará os ANTOLHOS.