Inicio este texto com
citando Roberto
Shinyashiki “Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus
projetos de vida, e não para impressionar os outros”.
Em tudo na vida, é preciso
dedicação, renuncia, disciplina, determinação, envolvimento,
comprometimento. A vida não é só o hoje,
mas como este hoje está sendo desenvolvido para o amanhã? O que tem feito?
Acredito que tudo que me é dado hoje será para sempre? Basta tudo como está não
preciso mais de nada? O que tenho feito para aprender a ser melhor a cada dia?
Conheço os meus propósitos de vida pessoal e profissional? O que tenho feito
para alcançar meus objetivos? Um diploma
de faculdade é bastante para dar sustentabilidade ao meu futuro? ...”heróis de
verdade trabalham para realizar seus projetos de vida...”
Aqui vou me deter sobre educação
acadêmica, e me pego surpreendido por situações ocorridas numa sala de
aula. Me dá impressão que estou num
comércio varejista, onde a passeio, os clientes entram, olham o produto, ficam
a vagar neste ambiente, a falar das
coisas da vida, dos interesses circunstanciais, sem foco, sem objetivo. Como se
ali fosse apenas um espaço de lazer, de ponto de encontro. Educação não é produto que se compra hoje
aqui, amanhã ali. Professor não é vendedor, aluno não é cliente, educação não é
produto de consumo.
Em um conceito mais abrangente,
educação é uma ponte de desenvolvimento do saber. Atravessar todos podem, mas o
que foi aprendido neste percurso? O que foi construindo nesta passagem? Educação também envolve cortesia, delicadeza,
civilidade, relacionamento, respeito, dedicação, renuncias, disciplina, foco
nos objetivos a serem alcançados. Através deste contexto, a educação atua no
indivíduo como processo contínuo de melhoria, de desenvolvimento intelectuais e
morais do ser humano, visando sua
integração com o meio, como cidadãos capazes de gerar transformações e agregar
valores substanciais para uma sociedade melhor.
É um processo de ensinar e aprender.
Diante
destes conceitos, percebo hoje uma dissonância da essência entre educar, ser
presente em estado de crescimento pessoal e profissional, e estar presente para
obtenção de um título. As pessoas tem
pressa, não querem ou não consideram importante para sua vida hoje, aguardando apenas o dia em que estará
submetido a uma prova, para usar dos artifícios e tirar a nota mínima
necessária para ser aprovado.
Vejo com
certa tristeza, como educador, este cenário nas bancas de sala de aula. Tantos
são os que não tem interesse no aprender, seus focos são todos, menos aprender.
São exímios em reclamação, em reivindicação, em protestar contra isso ou
aquilo. Mas, perdem-se no seu dever de,
ao frequentar uma sala de aula, ter o compromisso, no mínimo com ele
mesmo, respeitar o profissional da
educação que ali está, se entregando para trazer o melhor. É um entrar e sair de sala de aula, de uso inadequado
e inoportuno de celular, tablets. É desestimulante as vezes, mas como
sou vocacionado, continuo insistindo. As queixas de cansaço
é algo cotidiano, como trabalhar fosse exclusividade deles, o professor não é
trabalho ou não trabalha também o dia todo. Onde está a consciência, o
reconhecimento do respeito.
Educar
pra mim, é uma via de mão dupla. Mesmo cansado de um dia de intenso trabalho, refaço-me
para compartilhar conhecimento, mas quando do outro lado encontramos baixa
energia, falta de interesse, faz de conta que aprendo, a incessante vontade
demonstrada em ir embora daquele espaço, pergunto-me: vale a pena continuar a ser
educador, a ser docente? Mas, lembro destas mensagens de Cora Coralina “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende
o que ensina”, e outra, “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada.
Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. E, logo sou refeito da intenção de desistir, e continuar
acreditar em pessoas que querem fazer a diferença neste mundo.
As melhores coisas só acontecem para quem faz. O ter hoje, não vai garantir tua presença
amanhã no mesmo status. O desenvolver o ser que você pretende vai fazer toda a
diferença. Não é sábio fazer as mesmas coisas como sempre foram feitas e
esperar um resultado diferente, um espaço de sucesso no mercado. Engana-se que
acredita que tudo é para sempre. Somos frutos de nossas escolhas, essas que
estamos fazendo hoje. E, cheguei a uma conclusão, não adianta insistir em levar
conhecimento se o outro está decidido em não entender. Vamos em frente acreditando que possamos
contar com pessoas que tem como objetivo além do aqui e agora, que pensam no
futuro construindo um presente, aprendendo e se fortalecendo em suas qualificações
em rumo ao alcance dos objetivos pessoais e profissionais. Que pensam mais do que ganhar dinheiro, mas ser feliz na realização da sua função. E,
que saibam usufruir bem do investimento que faz na vida, que não seja apenas pró-forma,
atender as convenções de ter um título. Pessoas que não estejam navegando sem
rumo, a deriva do acaso, a mercê das coisas circunstanciais, que nada agregam,
ao contrário, afasta as melhores oportunidades e, criam decepções em outras
pessoas. Pessoas que evoluam com novos e
melhores hábitos, façam a diferença fazendo melhor o que já fazia, inove, crie,
construa uma sociedade melhor.
Espero e acredito na minha vocação como
educador que encontrarei pessoas que queiram ir além do seu ponto de vista, e
consiga enxergar além de si mesma.
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