No percorrer dos caminhos vividos, me deparei com
pessoas que contribuíram, de alguma forma, as páginas da minha vida. Ora de
ganhos, perdas, turbulências provocadas algumas vezes pela mente misteriosa que
nos acompanha. Passados que nos
perseguem, um presente de decisões para construir o futuro, não vivê-lo, mas
fazer deste momento um passado melhor e um futuro prospero. Tudo uma lição de
vida!
E, nestas trajetórias, percebi a igualdade de
contextos de histórias em diferentes momentos. Diferenças entre pessoas, pobres
e ricas, brancas e negras, livres ou escravas, continuam, só que agora vejo com
maior claridade de residência destas diferenças, que é a materialidade, o
poder, o ter. Práticas desumanas com que nos deparamos ainda hoje, seja qual
for o regime que esteja em domínio, estas diferenças continuam matando de fome,
doenças. Pessoas violentadas em seu direito de SER HUMANO, excluídas, banidas à
margem dos abismos da pobreza, da miséria, da falta de emprego, e, repete-se
tudo como antigamente, o domínio do ter e poder, do crer ser um deus. Vencer
mesmo que custe matar, humilhar, denegrir a honra, a condição de ser gente.
Um outro fator que ressalto neste tantos momentos
vividos, são pessoas que ainda neste perfil, porém talvez maquiado por fator de
convivência, mas igualmente são excludentes, são os autossuficientes. Não sou
cientista da mente, mas vejo as pessoas que utilizam-se de falsas defesas para
exprimir suas debilidades interiores, seus medos, suas ameaças, seus fracassos,
e como forma de não permitir que os outros não saibam que ela é, humilha, impõe,
reprime, escraviza. A culpa sempre é do outro como desvio de sua verdadeira
intolerância a si mesmo. A autosuficiência para mim é um máscara que esconde o rosto,
o ser verdadeiro, e por medo de ser reconhecido, cobrem o rosto.
Talvez a lucidez esteja ficando em desuso, à margem
da humanidade ou de alguns transvestidos de gente, que vivem na miopia da
sociedade, enxergando só a si.
O ter corrompe, rouba a alma, moldura com uma
armadura que impede de enxergar dentro de si, e aí, esvaziam-se do SER,
tornando-se matéria, apenas. Muitos
preferem matar a própria alma, para viver escravos do ter, do poder. Pessoas
que teme as rupturas do passado, dos status quo, e portanto, permanecem frias, alheias a vida de um ser que não pode ser
deus.
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