Hino da Independência foi tão marcada de improviso como a ocasião em
que o príncipe regente oficializou o fim dos vínculos que ligavam Brasil
a Portugal. No começo do século XIX, o artista, político e livreiro
Evaristo da Veiga escreveu os versos de um poema que intitulou como
“Hino Constitucional Brasiliense”. Em pouco tempo, os versos ganharam
destaque na corte e foram musicados pelo maestro Marcos Antônio da
Fonseca Portugal (1760-1830).
Aluno do maestro, Dom Pedro I já manifestava um grande entusiasmo pelo
ramo da música e, após a proclamação da independência, decidiu compor
uma nova melodia para a letra musicada por Marcos Antônio. Por meio
dessa modificação, tínhamos a oficialização do Hino da Independência. O
feito do governante acabou ganhando tanto destaque que, durante alguns
anos, Dom Pedro I foi dado como autor exclusivo da letra e da música do
hino.
Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
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