Não digo nomes, porque há os sinceros e bons. Mas é um alerta para
quem corre atrás dos que se proclamam intercessores de milagres
garantidos e infalíveis. Pedir é uma coisa, garantir é outra! Uma
senhora com câncer no pulmão pediu-me uma bênção e uma cura.
Perguntou-me se eu, em nome de Jesus, podia garantir a sua cura, já que o
médico não garantira.
Delicadamente eu lhe disse que abençoaria e que, em nome de Jesus,
lhe oferecia uma cura "possível", mas não "garantida". Nãos sabia de
ninguém que teria sido curado do pulmão pela imposição das minhas mãos.
Eu não poderia lhe dar esta certeza. Decepcionou-se e foi a um pregador
que atua no rádio e na televisão em nome de Jesus. Ele costuma declarar,
diante das câmeras, sem nenhuma verificação de médicos, nem atestado de
outros que a pessoa está curada ali mesmo, no ato. Reproduz os
primeiros dias do cristianismo. Milhares vão vê-lo e deixam nossa igreja
para ouvir suas pregações.
Ele garantiu-lhe a cura. Afinal, a Igreja dele é uma igreja de
resultados. Garantiu-lhe que ela estava curada ali mesmo! Glórias a
Jesus! A família saiu feliz, criticando a Igreja Católica e o padre que
não acredita em milagres. Mas sabiam eles que eu mesmo já recebi
milagres e que conheço muita gente que foi curada. Mal sabiam que muitas
vezes vou a Aparecida, pedir milagres por pessoas feridas no corpo e
na alma e que envio muita gente para lá. Mal sabiam que recorro às
carmelitas e clarissas parta que orem por alguém que precisa do milagre!
Mas uma coisa é pedir, esperar e confiar e outra é proclamar ou
garantir uma cura, aos estardalhaços num intenso marketing diante de
câmeras e microfones. Esta garantia eu, pregador da fé serena, não posso
dar. Só Deus sabe se dará ou não dará o milagre solicitado.
Dois meses depois o problema voltou ainda mais agudo. Não houve
meios de ela chegar perto daquele microfone... Voltou ao hospital com a
resistência baixíssima e veio a óbito. O pregador que lhe garantiu a
cura deveria ser processado pelos filhos dela. Brincou de porta voz de
Deus. Anunciou uma cura que não ocorreu e aproveitou-se para fazer
marketing da mesma.
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